Quarto de menino. Quarto de menina.

Nesta última semana passei algum tempo pesquisando sobre cores (como sempre), e estudando o que seria um bom assunto para abordarmos aqui. Foi aí que voilá, lembrei que chegávamos no dia 8 de março – O DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

E, como poderia fazer conexão entre este tema, cores e ambientes?

Simples. Recordei dos vários projetos da minha carreira que, em o nosso Zeitgeist, acabam por criar alguma polêmica: os quartos de meninos e os quartos de meninas.

E… polêmicos por quê?

Pois os pais ao determinarem o “gênero do quarto” antes de definirem todos desejos e expectativas do que esperam do espaço, colocam como prioridade deste briefing as características culturais e sociais atreladas na criação do espaço, e em segundo plano fica a história da família, os desejos e projeções das características individuais daquela criança.

E vou dar aqui um breve exemplo, mas que diz muito. Joguei no Google as palavras quarto de menina e quarto de menino. Vejam só os resultados:

Busca por QUARTO DE MENINO
Busca por QUARTO DE MENINA

Mas por curiosidade lancei também um “quarto de criança”, e ai comecei a perceber uma luz no fim do túnel e enxergar outras possibilidades.

Sabemos que as cores na sociedade são formas de diferenciação e construção de identidades: veja como exemplo os times de futebol. Sem as cores que os diferenciam não saberíamos quem é quem. Cores também são códigos, como os sinais de trânsito, as luzes do giroflex policial, o preto para o luto, o vermelho dos carros de bombeiro, etc., em outras palavras não são somente as palavras que expressam e identificam as coisas.

Mas há uma diferença: as cores dos códigos acima são padronizadas, de certa forma, para um reconhecimento coletivo. Mas será que dentro de nossas residencias, em um local tão singular e intimo, esses códigos são necessários?

Gostaria de deixar claro que não tenho nada contra rosa nem contra o azul. Sou apaixonada por todas as cores e acredito que na sua escolha, além das características culturais, é importante levar em consideração sensações e emoções que se desejam atingir com elas.

A PRIMEIRA INFÂNCIA

Esta fase marca as primeiras rupturas na vida da criança, é um momento a qual sua cognição se expande rapidamente e precisa constantemente de estímulos e saberes. 

A cor é uma das primeiras características que a criança percebe e que diferencia os objetos e coisas ao seu redor. A cor não somente é uma tonalidade, mas também, parte da constituição/identidade do meio e seus componentes.

Projeto e foto: DANNI COUTO

Desde que nasce, o bebê percebe tonalidades. Tudo com o que ele se relaciona tem alguma cor. Mas somente a partir do primeiro ano é que o bebê começa a fazer várias descobertas e realmente percebe o mundo colorido.

Moodboard realizado por DANNI COUTO

O fato de começar a andar o torna autônomo para explorar o mundo. Seus brinquedos de pegar, os jogos de empilhar e encaixar objetos tem cores fortes que chamam sua atenção. No entanto, ainda não é capaz de identificá-las. Então, como as crianças aprendem as cores?

O processo de aprendizagem das cores segue três fases:

1. Pela percepção;

2. Pela distinção;

3. Pela assimilação, através do processo de amadurecimento cognitivo.

É nesta terceira que entra a presença dos pais ou cuidadores. Eles vão construindo na criança algumas relações, e estas podem ser pra vida toda, façam sentido ou não.

Por exemplo: Meu filho tinha um amiguinho de escola que não comia verduras. Um dia em casa eu questionei o por que, e ele me contou que salada era verde, cor do time rival do time do coração da família dele. Pronto, fazia sentido, mas simultaneamente não fazia nenhum.

Imagem PINTEREST

A RELAÇÃO DAS CRIANÇAS COM AS CORES

Desde sempre estamos acostumados a ver meninas, sejam bebês e crianças maiores usando a cor rosa em predominância, e os meninos o azul (ou verde, ou amarelo, ou laranja… menos o rosa!).

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos mostrou que não existe qualquer evidência que confirme a preferência das crianças de cada gênero por essas cores. Várias crianças de ambos os sexos com idades que variavam dos 7 meses de idade até os 5 anos foram testadas quanto a preferência das cores.

Os resultados apontaram que até os 2 anos, as meninas escolhiam objetos e brinquedos das cores mais variadas, não tinham preferência pela cor rosa. Os meninos até os dois anos e meio também seguiam a mesma tendência, optando inclusive por brinquedos na cor rosa.  As crianças com mais de 2 anos de idade já costumavam optar pelas cores de estereótipo (as meninas pelo rosa, os meninos pelo azul) e a pesquisa concluiu que este comportamento é assumido por assimilação.

A menina cresce em quartos cor de rosa, em roupas cor de rosa, com brinquedos cor de rosa, o mais natural é que elas passem a assimilar que aquela cor é o ideal para ela. Essa é uma estereotipagem de gênero que pode prejudicar a futura escolha e a liberdade da criança, pois mesmo que no futuro uma outra cor lhe agrade muito, ela irá acreditar que o matiz não “serve para ela”.

MAS AS CRIANÇAS CRESCEM…

O sociólogo Phillip Cohen, da Universidade de Maryland, fez a cerca de dois mil homens e mulheres uma pergunta simples: “Qual a sua cor favorita?”

Em primeiro lugar, tanto para homens como para mulheres, foi a cor azul, mas a unanimidade é só para o primeiro lugar. Em segundo lugar a cor foi o verde para os homens, e o roxo para as mulheres.

Joe Hallock também fez um trabalho muito interessante sobre “Atribuição de cores”. Os dados de Hallock mostram algumas preferências claras em certas cores entre os sexos (a maioria de seus entrevistados eram de sociedades ocidentais).

Notou-se que, enquanto homens preferem azul (57%), verde (14%) e preto (9%), as cores preferidas das mulheres são azul (35%), roxo (23%) e verde (14%).

Em se tratando das cores menos preferidas, as dos homens são marrom (27%), roxo (22%) e laranja (22%), e as das mulheres, laranja (33%), marrom (27%) e cinza (17%).

O ponto mais notável ​​em ambas pesquisas são a supremacia do azul em ambos os sexos.

Se a pergunta fosse feita de forma indireta, como por exemplo “Qual a cor preferida das mulheres e dos homens?” talvez tivéssemos outro resultado, pois as respostas seriam dadas conforme um consciente coletivo, e não pessoais.

Isso mostra a importância da pesquisa antes de conclusões para iniciarmos algum projeto com relação à cores.

ENTÃO, QUAL A COR IDEAL PARA O QUARTO DAS CRIANÇAS?

De acordo com os pesquisadores, os pequenos conseguem diferenciar cores mais contrastantes entre si, como a cor verde da vermelha. Porém, quando se deparam com cores mais similares uma ao lado da outra, como laranja e vermelho ou várias cores em tons pastéis, os bebês não conseguem enxergar a diferença entre elas.

Porém, é possível afirmar com certeza que os bebês não enxergam apenas preto ou branco. O bebê pode não ser capaz de enxergar a diferença de cores muito sutis (como distinguir entre o vermelho e o laranja-avermelhado, ou entre tons pastéis muito sutis). No entanto, eles podem ver os padrões coloridos, bem como padrões preto e branco, desde que os padrões tenham bastante contraste.

(Maura Mello/Quartos Etc. ) Projeto de ERICA SALGUERO

A capacidade do bebê de enxergar as cores como os adultos ocorre por volta dos cinco meses de vida. Aos cinco meses os bebês já conseguem enxergar de forma muito similar aos adultos.

O bacana na hora de escolher as cores para um quarto infantil, é que é possível brincar com todos os tons disponíveis em uma paleta e reunir os mais diversos efeitos.

(Antônio Schumacher/Ana Cano Milman) Casa Claudia

Mas, em meio a tantas cores, qual seria a escolha ideal para decorar o quarto de uma criança? Uma cor vibrante ou uma cor delicada? Qual cor você escolheria se fosse criança? Qual tonalidade te deixaria mais alegre ao olhar para o seu quarto?

Para responder, pense nas sensações que você gostaria de criar neste ambiente, tanto para você quanto para a criança. É comum pais optarem por cores suaves e neutras, na intenção de trazer a sensação de calma. Mas qual seria a sensação que uma criança gostaria de ter dentro do seu espaço? Alegria, aventura, encanto, fantasia…?

Projeto e foto: DANNI COUTO

A cor é primordial para a decoração de um cômodo, mas não existem regras na escolha ideal de um tom.

O importante é que você se coloque no lugar dos pequenos, e consiga tornar o mundo desta criança ainda mais fantástico.

Na próxima postagem iremos mostrar composições alegres e divertidas, com base nas tendências COLORMIX SW 2019.

Fique de olho.

See you soon!

Fontes:

http://www.wemystic.com.br/artigos/cores-e-genero-rosa-para-meninas-azul-para-meninos-por-que/

http://www.criandocomapego.com/como-as-criancas-aprendem-as-cores/

https://www.ignicaodigital.com.br/psicologia-das-cores/

Academia Americana de Oftalmologia

The Smith-Kettlewell Eye Research Institute

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