VOCÊ SABE O QUE É TENDÊNCIA?

Em meu último post falei sobre algumas apostas que apareceram na feira Internacional de design de Milão. Desde então iniciaram-se intermináveis palestras, debates, talks, matérias… abordando o tema tendências. Porém pude observar que muitas pessoas não sabem, ou confundem-se com o uso do termo.

Nestes encontros ouvi inúmeras vezes – agora a tendência é o uso de cores fortes, como as primárias – , assim como também escutei que as cores energéticas estavam tão presentes quanto as cores pálidas.

 Mas será que, realmente, podemos chamar estas observações de tendências como intitulam tantos artigos de decoração, design e arquitetura?

Vamos lá, colocar os pingos nos “is”

Tendência é um reflexo do zeitgeist (espírito do tempo), mas não é algo óbvio. Se você olhar atentamente para o mundo fashion, automobilístico, de decoração, indústria alimentícia, entre outros nichos, vai perceber algumas similaridades conceituais, observadas em pesquisas realizadas por bureaux de Trend Forcasting, como a WGSN e a Carlin.

Estas pesquisas são realizadas por diversos profissionais, entre eles os coolhunters, cujo trabalho é parecido ao de um antropólogo que realiza trabalhos de campo: consiste em aproximar e observar seus objetos de estudos, de forma cuidadosa e assertiva. Muitas das agências que se dedicam a “caçar” tendências têm correspondentes em todo o mundo, os quais vivem atentos e informados sobre todo fenômeno que se apresente em forma repetitiva. Geralmente, são profissionais com muito conhecimento em história, política, sociedade e observação da indústria.

Até aqui, tudo bem? Acredito que já deu a entender que uma tendência não nasce em uma mostra de decoração e muito menos na novela das 8. Trata-se de comportamentos ainda em evolução observados em parcela da população, potencialmente duradouros, pois guardam a possibilidade de se manterem em voga por uma década ou mais, e são originados por transformações no macroambiente – ou seja, na cultura, política, economia ou tecnologia, entre outros.


VOGUE | Fotografia: Gianfranco Vacani | Styling de moda: Daniela Mônaco | Paleta SW: Aventureiro

Tendências são, portanto, pensamentos, atitudes e ideias, e não produtos ou serviços. Com relação a isto, é possível citar como exemplo a observação de um movimento grande por “uma vida mais saudável e simples”, economia colaborativa e igualdade de gêneros, todos são uma tendência comportamental. Os reflexos dessas tendências são o aumento da busca por comida orgânica, ambientes de coworking e o surgimento de posicionamentos efetivos de empresas e sociedade com relação às posturas sexistas.

Modas, por sua vez, representam a prevalência de um determinado padrão estético em alguma indústria: vestuário, objetos do dia a dia, arquitetura, automóveis, etc. Costumam vigorar por um período específico, uma vez que precisam ser renovadas para estimular a demanda, e podem – embora não seja obrigatório – estar conectadas a uma tendência. Um bom exemplo de moda/tendência é a minissaia, moda na década de 1960, que chegou com seus 30 centímetros, e ganhou todo mundo que não era adepto do conservadorismo. De tempos em tempo, ela aparece “reinventada” nas passarelas e vitrines.

Modismo, finalmente, refere-se ao sucesso comercial de algum produto ou serviço, em qualquer área, por um período de tempo muito curto – geralmente, uma estação. Um exemplo deste conceito é o azul Giovanna, que surgiu derivado de uma personagem de novela das 8.

Todos têm a sua importância, seja a curto ou longo prazo, movimentando pequena ou grande parte da economia. Por isso, é importante conhecer e diferenciar cada um, mas, sobretudo, entender as tendências. Elas nos aproximam do futuro, e conhecê-lo nos proporciona certo poder, pois oferece a chance de nos anteciparmos para aproveitar tanto as oportunidades, quanto a defesa de possíveis ameaças.

Ao entender o padrão maior que rege as transformações, é possível vislumbrar quais “ondas” podem surgir e impactar o mercado, embora, talvez, não seja possível prever detalhes do que acontecerá com determinados produtos ou empresas.

Então, vamos ao que interessa – AS CORES.

Se fizermos um levantamento de todas “cores do ano” lançadas para 2019, veremos que além de alguns paradoxos, existem algumas com tonalidades completamente opostas à outras.

Então como saber em qual cor apostar?  O que deve ser observado quando pensamos em investir em uma cor para um projeto?

O ideal é que sempre se analise o CONCEITO atrelado à cada tom.

Conceito das cores

Em todos lançamentos sempre há uma defesa que define a escolha por algum tom como Cor do Ano. Estes conceitos são resultados de pesquisas, e a partir deles as empresas definem a cor que mais se adéqua à ideia que se pretende transmitir. Aliando este conceito à evolução das cores do ano anterior, mais toda uma paleta de harmonização, chegamos à próxima cor eleita.

Vejam 3 exemplos nos lançamentos de 2019:

LIVING CORAL – Pantone

 “A cor é uma lente equalizadora, através da qual vivenciamos nossas realidades naturais e digitais, e isso é particularmente verdadeiro para a Living Coral. Com os consumidores almejando a interação humana e a conexão social, as qualidades humanizadoras e animadoras demonstradas pelo Pantone Living Coral atingem um tom responsivo. Sociável e espirituosa, a natureza envolvente da Pantone 16-1546 Living Coral recebe e encoraja atividades despreocupadas”, disse Leatrice Eiseman, diretora executiva do Pantone Color Institute.


areademulher.r7.com/casa-decoracao/15-imagens-de-decoracao-com-living-coral-inspiracao/

PERIDOTO  – CECAL (Comitê Brasileiro de Cores)

O Peridoto, um cristal da família das olivinas presente nas erupções do vulcão havaiano Kilaluea, local de onde foi extraída, apresenta um verde vibrante totalmente conectado à natureza. O material foi inspiração para a Cor do Ano Cecal 2019.  Neste ano, o trabalho focou nas áreas de geologia, antropologia e espacial para indicar três inspirações perenes e uma temporária. “O tema básico de nossa pesquisa foram as cores gasosas, aquelas sombreadas, sem contornos definidos. Este verde já aparece em vários produtos, como peças de alta costura e carros. É uma cor vibrante, um verde ligado à beleza eterna da natureza em completa harmonia com o todo”, explica Elizabeth Wey.

CAVERNA  – Sherwin-Williams

Eleita cor do ano 2019 pela Sherwin-Williams, Caverna (SW 7701) é uma excelente opção para ser o pano de fundo e trazer sensação de aconchego.

Da família dos tons terrosos, Caverna é quente, casual, refinada e traz em sua essência o espírito de liberdade que existe em todo aventureiro. É ancestral e ao mesmo tempo moderna. “É uma cor que permite explorar as possibilidades e trazer o calor do ar livre, das praias, desfiladeiros e desertos e das tardes banhadas pelo sol no final de um dia de verão para dentro do seu ambiente.” diz Patricia Fecci da Sherwin-Williams



VOGUE | Fotografia: Gianfranco Vacani | Styling de moda: Daniela Mônaco | Paleta SWCAVERNA

Além destas existem outras, porém o mais importante como disse acima é analisar o conceito de cada uma delas. Entender qual atmosfera e sensação que se pretende criar no espaço é, acima de tudo, muito mais importante do que projetar um sentimento que possa ser momentâneo para aquele ambiente.

Esse é um entre muitos cuidados, para que o famoso “enjoei” também não seja para seus clientes uma tendência.

SEE YOU SOON ;D

Outros artigos da autora:
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