MENOS É …

Há duas semanas estive na CASACOR SP, mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo das Américas. A exposição vai até  04 de agosto no Jockey Club de São Paulo, e apresenta 75 ambientes em mais de 15 mil m² unindo afetividade, sustentabilidade e muita tecnologia.

O tema deste ano foi baseado na tendência de cada casa se tornar o universo particular do indivíduo. É na nossa casa que podemos expressar, de forma natural e genuína, nossa afetividade e nossa conexão com o outro. E, a partir dela, demonstrar atitudes afetivas compartilhadas com a comunidade que nos rodeia. “É pensar de dentro para fora, começando pela nossa individualidade e nosso propósito como ser humano. Somente assim será possível enxergar o outro, como um elo no cuidado com o mundo… é olhar, de certa forma, com afeto para o mundo e para o futuro”, explica Lívia Pedreira, Diretora Superintendente da CASACOR.

Muitos espaços chamaram minha atenção, seja pela estética ou pela poesia, mas existiu um ambiente que me causou grande reflexão, e foi justamente um a qual trazia a escola Bauhaus como tema.  O arquiteto Tufi Mousse fez homenagem à escola alemã que revolucionou o design moderno, trazendo aos ambientes poucas peças, sintetizando a ideia de funcionalidade.

TUFI MOUSSE
 (Divulgação/CASACOR)

É o tal “menos é mais” me provocando novamente, e logo mais vou explicar por quê.

UM POUQUINHO DE BAUHAUS

Ludwig Mies van der Rohe (1886 -1969) o conhecido arquiteto, autor, entre muitos outros, do Edifício Seagram em Nova York, usou e divulgou a frase “menos é mais” para se referir a uma certa linguagem de clareza e depuração, de quase ausência ornamental, traduzida nas formas geométricas elementares, mas também de sofisticação e cosmopolitismo próprios dos seus edifícios de aço e vidro.

Na arquitetura como noutras artes, o minimalismo conseguia um conjunto de virtudes estéticas e éticas, aliando a simplicidade ao despojamento, a sobriedade ou a austeridade, contra o rebuscado, o floreado, o desperdício e o excesso. 

Nos dias atuais o pensamento ainda carrega beleza e poesia. Porém… quando trazemos isto para a realidade do nosso Zeitgeist, onde ambientes carregam a  preocupação não apenas do habitar mas também do morar, devemos lembrar que pessoas são diferentes e cada uma carrega consigo um sentido de maior afinidade. Hoje mais do que nunca há a busca constante pela identidade e individualidade, e muitas vezes estas características podem se materializar de forma complexa.

NEM TODOS ENTENDERAM O SIGNIFICADO DO “MENOS É MAIS”

Inúmeras vezes reparei legendas em projetos de interiores relacionando o conceito de seus ambientes beges e cinzas cálidos com a frase de Mies Van Der Rohe, como se aquele clima monocromático de sofisticação elitizada sintetizasse um dos nobres pensamentos da Bauhaus.

Na própria CASACOR deste ano ouvi alguns visitantes clamando o “slogan” no circuíto da mostra, e uma das vezes onde presenciei este fato foi no quarto do ambiente de Débora Aguiar. Espaço onde transbordavam qualidades como sofisticação, elegância e luxuosidade, porém distante do tal “menos”.

Mies Van Der Rohe também salientou que ” Deus está no detalhes”. Acredito que talvez esta fosse a frase mais assertiva para o ambiente.

DEBORA AGUIAR

Usar menos cor não significa trazer uma certa linguagem de clareza e depuração para um projeto. O minimalismo traz um conjunto de virtudes estéticas aliando a simplicidade ao despojamento, a sobriedade ou a austeridade, contra o rebuscado, o floreado, o desperdício e o excesso.

Mas isso não significa a obrigatoriedade do branco ou monocromático. Tanto que no ambiente de Tufi Mousse vemos a potencialidade das cores primarias nas paredes, mobiliários e decoração, materializando os conceitos da Bauhaus.

 (Divulgação/CASACOR)

No inicio do século 20 , o conceito surgido na escola alemã fazia muito sentido,  visto ser uma época de miséria em vários países europeus. Havia uma razão para aquele pensamento, para aquela provocação que era mais do que arquitetônica – era também social.

Mas e hoje… o que faz sentido?

O MUNDO CONTEMPORÂNEO

Um dos desejos das pessoas na contemporaneidade é a possibilidade de expressão por meio das escolhas, das vestes, do gesto, da funcionalidade do corpo concretizada no lar. 

As pessoas querem curtir seus lares, ouvir música, ler um livro e receber amigos. Ter autonomia, um momento para si dentro de casa, aconchego em boa companhia e natureza por perto.

Ambientes devem revelar a identidade do morador, e ser um local de experiências pessoais. Os projetos devem traduzir a personalidade do morador para móveis, cores e objetos, sendo que não há certo ou errado nessas escolhas, prevalece a liberdade criativa.

É ai que a equivocada leitura do “LESS IS MORE” cai por terra, transformando-se no “LESS IS A BORE”.

Pessoas querem casas que contem suas histórias, que tragam memórias e que causem sensações variadas, e para isto eu recomendo: tire o máximo de proveito que a COR pode oferecer.

Para finalizar, deixo aqui imagens de outros ambientes da mostra, coloridos, apaixonados e apaixonantes.

JULIANA PIPPI
 (Divulgação/CASACOR)
PEDRO LÁZARO
 (Divulgação/CASACOR)
TRAD DALBERTO ARQUITETURA
 (Divulgação/CASACOR)
LISANDRO PILONI
 (Divulgação/CASACOR)
NAOMI ABE
 (Divulgação/CASACOR)
MARCELO DINIZ
 (Divulgação/CASACOR)
EDUARDO FRANCO CORREA
 (Divulgação/CASACOR)

Até nossa proxima conversa sobre cores.

SEE YOU SOON ;D

Outros artigos da autora:
https://www.facebook.com/essedetalhe/

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